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Concurso Centro Administrativo de Belo Horizonte
Concurso Nacional de Projeto de Arquitetura para o Centro administrativo do Município de Belo Horizonte - 2014

IMPLANTAÇÃO

O território do Centro Administrativo de Belo Horizonte apresenta-se como espaço de intersecção entre infraestruturas e eixos estruturantes do desenvolvimento urbano da cidade, contendo relações complexas que articulam escalas urbanas, econômicas, políticas e sociais de grande abrangência. Reforçar este lugar como um espaço público de integração e inclusão, potencializado pelas redes de mobilidade do entorno, é a nossa meta.

Para conferir representatividade e valor simbólico ao complexo, além da expressão arquitetônica em si, estabelecemos um caráter institucional público indispensável à natureza deste tipo de edifício através das articulações, interfaces e transições entre seus vários níveis programáticos e espaciais.

O NOVO CENTRO ADMINISTRATIVO

O conjunto é estruturado a partir do subsolo, fonte dinâmica de acessos que estabelece conexões entre a futura Estação de Metrô e o atual Terminal Rodoviário, com os recintos do Centro Administrativo, tanto os públicos irrestritos (Exposições e Atendimento ao Público) quanto os de acesso controlado, como as áreas especiais (auditórios, salas multiuso e de reunião, biblioteca e arquivos) e o setor logístico e de apoio. Como trata-se de uma área de de grande trânsito de pedestres, temos no primeiro subsolo dois eixos de circulação interceptados pela saída do metrô, um no sentido do eixo da Avenida Afonso Pena e outro paralelo à Avenida do Contorno. O primeiro tem caráter público e o segundo, público, semi-privado e privado. Neste acontecem os acessos aos recintos do Centro Administrativo, com a porção privada do programa controlada por halls e recepções localizados junto aos núcleos de circulações verticais.

No primeiro nível de subsolo distribuímos os fluxos de veículos, racionalizando o sistema viário, onde se encontram as rampas de estacionamentos e os acessos para carros de emergências e táxis.

O térreo faz a intermediação entre o Centro Administrativo e as várias frentes urbanas, tendo a Rodoviária como âncora. Ela é a referência que organiza a implantação do conjunto. Por ser tombada, adotamos o partido de elevar o novo edifício de forma a liberar a visão dela, principalmente do eixo da Avenida Afonso Pena e, em respeito à história do lugar, deslocamos a torre administrativa deste eixo, dando força ao conjunto como um TODO. Assim, inserindo na paisagem um edifício com morfologia especial com relação ao entorno, conferimos solenidade ao Centro Administrativo sem perder o horizonte.

O diálogo com a rodoviária se faz pelo desenho da fachada do Centro Administrativo, onde as linhas de força verticias da fachada da Rodoviária, formada pelo caixilho e cobertura, continuam na verticalidade dos brises propostos.

O programa privado do edifício é organizado em dois volumes conectados, um horizontal e outro vertical, unificados e definidos por um envelope de brises de madeira e varandas que criam um microclima para as áreas administrativas, espacialmente diversificadas pelos vazios que gerados na torre. Estes brises filtram a entrada de luz e calor e permitem a ventilação natural no seu interior.

Dividimos o conjunto em blocos intermediados por grandes áreas de convivência, resultado da estratégia de gerar intervalos “vazios de programa” desde o subsolo até o cume da torre administrativa, convertida em um lugar de uso público com mirante, restaurante e áreas de estar. Esta porosidade permite aos usuários parâmetros de compreensão espacial muito claros, facilitando a fruição.

FLEXIBILIDADE

Concebemos o edifício como uma infraestrutura constituída por lajes que são plataformas equipadas flexíveis no âmbito de suas ocupações. Esta abordagem permite que os espaços absorvam mudanças programáticas ao longo do tempo, conferindo dinamismo ao conjunto.

Complementamos a infraestrutura preparando o edifício para receber com folga as redes de instalações e lógica, distribuídas por forros, pisos elevados e shafts verticais e horizontais.

O esquema estrutural adotado, com bloco central, estrutura mista de concreto e aço e lajes pré-fabricadas, além de estável, é simples e flexível o suficiente para que possam ser adotados componentes construtivos leves, intercambiantes e de fácil execução.

CONEXÃO RODOVIÁRIA-ESTAÇÃO LAGOINHA-PRAÇA DO PEIXE

Além dos acesso ao subsolo e Estação de Metrô, a partir do térreo fazemos a conexão com a Estação Lagoinha através de uma praça suspensa que transpõe a Avenida do Contorno. Mais do que uma passarela, esta infraestrutura é uma plataforma com usos diversos e simultâneos com lojas, uma pequena arquibancada e uma tela de cinema móvel. Além de atravessá-la, os transeuntes poderão comprar nas lojas, contemplar a paisagem ou divertirem-se assistindo a um filme, show ou peça de teatro ao ar livre. Para atingir a Praça do Peixe, decidimos continuar a plataforma caminhando paralelamente à passarela existente até o entroncamento necessário para seguir para a Praça. Esta decisão partiu do motivo deste caminho ser o mais fácil em termos de cotas e apoios, além de dar mais ênfase às transposições.

ECO-EFICIÊNCIA

O Centro Administrativo foi estrategicamente implantado para, além de termos visuais do eixo da Avenida Afonso Pensa e dos bairros próximos (Lagoinha, Bonfim e Barro Preto), aproveitarmos ao máximo os ventos predominantes vindos do Leste. Dessa maneira, temos duas fachadas que recebm diretamente esse vento (Nordeste e Sudeste) proporcinando a ventilação cruzada no interior do edifício. O uso de ventilação natural cria um sistema misto de esfriamento, reduzindo o impacto negativo da utilização extensiva de ar condicionado.

Para proteger as fachadas da insolação excessiva e preservar os planos de trabalho da luz direta, adotamos brises verticais e horizontais (varandas), potencializando o uso de iluminação natural indireta. Os brises verticais são mais próximos nas áreas onde se necessita uma maior proteção e mais espaçados em áreas de circulação ou de menor incidência solar direta.

Adotamos o reuso das águas pluviais captadas pelas coberturas e direcionadas às cisternas de armazenamento para utilização na irrigação dos jardins externos e internos do edifício e em vasos sanitários e uso de cobertura verde para melhor desempenho térmico da edificação.

Com o objetivo de racionalizar a obra do edifício, reduzir o desperdício de materiais, facilitar sua manutenção e aumentar o seu ciclo de vida, adotaremos ao máximo a utilização de componentes industrializados na construção e montagem do edifício.

COGERAÇÃO DE ENERGIA

Pretendemos atingir a auto suficiência energética com sistema próprio de cogeração de energia elétrica através de gás natural, tecnologia que permite o atendimento de 100% da demanda interna, alimentando sistemas de climatização e energia de forma ininterrupta.

Após implantado, o sistema poderá funcionar diariamente, inclusive nos horários de pico, momento em que o consumo de energia chega a até seis vezes mais e o sistema de distribuição de energia elétrica pelas concessionários está congestionado. A mesma água utilizada para resfriar o gás serve para abastecer a edificação.

Para isso, reservamos no subsolo áreas técnicas e centrais de utilidades que darão o suporte para a adoção de sistemas de cogeração.

Ficha técnica

Ficha técnica
Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini

Equipe:

Thiago Maurelio
Ariadna Solias
Erika Endo