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Concurso Baixios de Viadutos
Concurso Público Nacional de Projetos de Baixios de Viadutos - 2014

GESTOS QUE CONECTAM

INTRODUÇÃO

Os viadutos são a plataforma da mudança. Uma mentalidade otimista que não negligencia e nem se dá ao luxo de ignorar os espaços residuais das cidades está surgindo. A partir desta oportunidade, projetamos espaços contínuos de encontro que conectam todas as atividades em um único gesto.

Os baixios do Viaduto da Av. Amazonas sobre a Av. Silva Lobo, que separa os bairros do Prado, Alto Barroca e Nova Suíssa, tem um potencial incrível de realizar a integração entre eles, tanto no sentido transversal como no sentido longitudinal, ampliando a permeabilidade entre os bairros e intensificando o diálogo com o seu entorno imediato.

CARACTERÍSTICAS LOCAIS

Os três bairros possuem a característica de serem residenciais de classe média, pouco dotados de áreas verdes e de espaços de encontro com qualidade.

O bairro Prado tem uma particularidade interessante: é considerado o principal pólo de moda atacadista da cidade e, de acordo com a Coopermoda, recebe cerca de 600 revendedores/lojistas diariamente. Atualmente o Prado possui, em média, 450 estabelecimentos comerciais com distância máxima do viaduto de 1,5 km, sendo que a Rua Cura d’Ars está a menos de 1km.

PÚBLICO-ALVO

Como público-alvo de freqüentadores dos baixios do Viaduto, além da população local, dos estudantes, em especial da CEFET-MG (Campos I), dos pedestres que utilizam o baixio como trajeto para travessia da Av. Silva Lobo e dos motoristas e caminhoneiros que utilizam a região como ponto de apoio, consideramos também os compradores do bairro Prado e os frequentadores da Igreja do Evangelho Quadrangular, localizado na Av. Silva Lobo, bem na esquina com o Viaduto. Este local de culto chega a abrigar até 5.000 pessoas nas datas festivas e tem cultos todos os dias (com exceção das terças-feiras), três vezes ao dia nos dias de semana e duas vezes ao dia nos fins de semana.

ATIVIDADES PROPOSTAS

Analisando o entorno e o público-alvo, constatamos que estes baixios possuem um grande potencial para práticas gastronômicas e de eventos festivos. Além dos moradores, há uma população flutuante nas imediações bastante interessada em locais de alimentação e de encontro. Restaurantes, bares, cafés e um local para locação de eventos, como desfiles de moda e festas religiosas, transformarão os baixios em efetivos pontos de encontro, tornando-os espaços muito atrativos e qualificados e transformando-os em locais propícios para permanência e lazer.

O PROJETO

No lado oeste, junto ao bairro Nova Suíssa, propomos uma área para alimentação, dotada de cozinha, despensa, balcão de atendimento e sanitários totalizando 1.250 m2. No lado leste, junto aos bairros Prado e Alto Barroca, propomos uma área de eventos de 1.250 m2, dotada de infra-estrutura para abrigar desfiles de moda, festas, exposições, com bar e sanitários.

Fazendo a conexão aérea entre os dois lados, inserimos passarelas fixadas na estrutura existente do Viaduto. São galerias-vitrines, extensões dos usos propostos no chão, podendo ser utilizadas para cafés e espaços de exposição. Sua cobertura é utilizada como teto jardim, tornando mais agradável a visual dos motoristas que trafegam sobre ele. Essas galerias reduzem a altura do Viaduto sem atrapalhar em nada o tráfego de caminhões, já que se mantém o pé-direito livre de 5,00 m sob o viaduto, totalmente dentro da legislação viária, já que segundo a Resolução nº 210 de 13/11/2006 do Cotran, a altura máxima permitida para qualquer veículo de transporte não pode ultrapassar 4,40 m de altura.

Para promover a acessibilidade universal, implantamos rampas com declividade 8,33% nas extremidades das passarelas e dois elevadores dentro dos espaços internos sob o viaduto, acomodando o projeto ao terreno e aos portadores de necessidades especiais.

MARCO URBANO - TELÃO

Acoplamos à fenda que existe entre as duas pistas do viaduto um grande telão que poderá ser visto de longe. Além de informações sobre os eventos que ocorrem nos baixios, vai contar curiosidades sobre os bairros, pode funcionar como suporte artístico, como, por exemplo, receber poesias de estudantes da rede pública e também projetar filmes e jogos de campeonatos. Ele tem a função de marco urbano, chamar a atenção para o local, atrair público, valorizar a história de Belo Horizonte e a capacidade criativa de seu povo. Além disso, implantamos vasos de plantas apoiados na nova estrutura metálica onde serão plantadas vegetação de médio porte, dando a impressão inusitada de que árvores brotam do “concreto”.

FLEXIBILIDADE

A flexibilidade da intervenção é proporcionada pela nova estrutura metálica. No espaço entre as passarelas locamos uma central de utilidades e suporte técnico dos espaços, como cozinha, depósitos e vestiários para os fincionários. Portanto, esta nova estrutura acoplada ao viaduto funcionando como uma espécie de “caixa de ferramentas” dotada dos equipamentos necessários para a operação os espaços, principalmente o multiuso. Portas pivotantes multidirecionais oferecem aos espaços a possibilidadade de abrirem-se ou fecharem-se para adequar-se aos eventos programados, também maximizando sua flexibilidade ao nível do chão.

ESTRUTURA E ENVELOPE

A nova estrutura proposta acoplada ao viaduto será leve, feita em aço e envolvida por fechamentos em vidro transparente, dando uma feição contemporânea à intervenção e tornando o conjunto construtivamente racional e econômico.

VIABILIADE ECONÔMICA

As obras para revitalização dos baixios do Viaduto deverão ser realizadas através de uma PPP (Parceria público-privada) de concessão administrativa.
O painel eletrônico poderá ser uma fonte geradora de receita como plataforma para anúncios publicitários. A idéia é que eles apareçam de maneira controlada, não alterando a função primordial do painel de atração de pessoas e valorização da área.

AMPLIANDO O POTENCIAL DA ÁREA

Apesar de Belo Horizonte possuir o dobro de áreas verdes recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a cidade, de acordo com o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, tem o pior desempenho em um ranking das regiões brasileiras que mais preservaram a vegetação nativa, apresentando somente 3% de áreas verdes nativas. Os bairros onde a intervenção está localizada, não apresentam parques, praças e espaços públicos de qualidade.

Para se tornar uma referência no bairro e realmente atrair os moradores da região, propomos a criação de um parque de 12.000 m2 com espécies nativas nos terrenos vazios entre as ruas Marajó e André Fernandes, realizando a ligação transversal sob o Viaduto. Além de trilhas para caminhadas e espaços aparelhados para práticas esportivas, nas proximidades do viaduto propomos mesas nas mais variadas configurações, estendendo assim a praça de alimentação para áreas abertas, sob as copas das árvores, transformando essa região em um ambiente verdadeiramente agradável para fazer refeições, possibilitando piqueniques e feirinhas gastronômicas. É importante salientar que esse tipo de espaço de convívio atrai outros usos, como apresentações de música, feiras de artesanato, atraindo novos fluxos de pessoas e o efetivo uso do espaço urbano.

Antes uma espécie de ponto cego da cidade, o baixio deste viaduto se transformará em um ponto focal regenerador do tecido urbano da cidade.

O sucesso da nossa proposta não depende da criação desta área verde. Ela é uma sugestão para tornar a transição dos baixos com os bairros mais agradável e tornar a experiência de vivência deste espaço público mais intensa.

CONCLUSÃO

Os baixios têm um grande potencial de transformação e de requalificação urbanística. A Prefeitura de Belo Horizonte, com esta iniciativa, posiciona-se alinhada com várias outras cidades do mundo como Vancouver, Toronto, Portland, Seattle, Miami, Welligton, Amsterdã, que estão redesenhando as áreas sob seus viadutos.

Para que a iniciativa tenha êxito, é necessário analisar o contexto em que ele está inserido e formular um programa de usos específico para o local. Criar programas aparentemente interessantes sem entender as potencialidades do local é desperdício de tempo e dinheiro.

Nossa abordagem é um site specific, não uma generalidade qualquer, que realmente vai transformar a região de intervenção, com um design diferenciado e brasileiro, atuando tanto no nível do solo quanto no espaço aéreo, promovendo a conexão transversal e longitudinal por onde o viaduto passa e criando uma situação urbana inventiva e atraente.






Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini

Equipe:

João Viaro Correa
Camila Nogueira
Erika Endo