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Future-Fits: retrofit em escala
http://www.engenhariaearquitetura.com.br/blog/multiurb/?p=43

O Novo Elevado*, projeto conceitual para o Minhocão proposto pelo escritório de arquitetura e urbanismo FRENTES, é um ponto de partida para a discussão da implantação do retrofit em larga escala.

Considerado um pária da engenharia e um lixo urbano que, dependendo da vontade quase unânime de muitos governantes e cidadãos deve ser demolido e esquecido, o Minhocão, apesar das circunstâncias históricas e políticas de sua implantação, já está impregnado de memória e de um enraizado sentimento de pertencimento por boa parte das pessoas que vivem coladas nele. Sua brutalidade e repugnante aparência camuflam a potencialidade de transformação que nos revela o quanto a sua demolição é um desperdício histórico. Se ele é um lixo, que seja então, segundo os princípios da sustentabilidade, reciclado, requalificado, transformado, potencializado.

Ressonante e expandindo-se para além dos seus limites, O Novo Elevado é fundamentalmente um conceito de cidade pronto para ser executado. Nossa estratégia para a sua implementação baseou-se na criação de um sistema apto para ser progressivamente desenvolvido na forma de uma extraordinária infraestrutura urbana, que promoverá a coexistência entre seus usuários e a cidade, entre ela e seus habitantes e entre eles e o mundo: uma inédita experiência cotidiana, um novo urbanismo.

Demolir a decrepitude das tradições retrógradas, tornando acessível para o público “outros” repertórios de idéias que instiguem a produção de novos conceitos e que impulsionem o ato de intervir é uma das pretensões deste projeto.

O Novo Elevado induz a isso. Continuamente estabelecendo relações entre os edifícios adjacentes, rompendo barreiras e revelando “fendas”, introduz o

Future-Fits, que é o retrofit em escala, ou seja, abrangente.
O Future-Fits opera dentro de medidas eficientes, constituindo um projeto integrado a ser implementado ao longo dos anos. Sendo assim, compreende intervenções de médio a longo prazo que requerem um investimento inicial de porte no âmbito das análises urbanas multidisciplinares, visando a economia futura. Apesar das aparências, isso não aproxima o Future-Fits das idéias de planejamento urbano de outrora, onde o que valia (e ainda vale) era “abrir espaço”. Superemos isso. Urubus não respeitam lotes!

O Future-Fits funciona como um sistema (para não falar em antídoto) que isolará futuramente o usuário ou proprietário do aumento dos custos das fontes energéticas convencionais, adotadas ainda pela maioria da população global. Cada edifício deve ser aperfeiçoado não somente numa abordagem individual, mas tendo em vista a matriz global na qual está inserido, ganhando escala e reduzindo custos, pois se cada proprietário pensar num sistema próprio individual, perderá de vista o todo e a economia que isso traria, o que significaria jogar fora oportunidades novas de habitar e de coexistir.

Tomemos como exemplo a Avenida Paulista com sua fileira de altos edifícios, cada um deles dotados de seu próprio estacionamento subterrâneo. Agora imaginemos que, ao invés de um estacionamento individual para cada edifício, tivessemos um único espaço subterrâneo para todos ao longo da avenida, descomunal, para os automóveis mas também servindo para usos diferentes e imprevisíveis nos períodos em que estivessem vazios, como nos fins de semana e feriados, por exemplo. A simplicidade e racionalidade desta atitude de unificação dos subsolos na Paulista e de outros locais mais densos da cidade, acarretaria numa economia brutal de recursos comparado ao jeito comum de pensar a cidade, ou seja, como pequenos pedaços privados sem a desejada integração no âmbito da infraestrutura. Esta imagem de uma Avenida Paulista integrada no nível do subsolo nos dá uma idéia diferente de como as cidades podem ser: inteligentes, integradas, com menores custos operacionais, menos complicadas e mais eficazes.

*projeto vencedor do Prêmio Prestes Maia de Urbanismo e da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo em 2006 e 2007 respectivamente.

Ficha técnica

José Alves, ago/2011