FRENTES Arquitetura
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Museu da Tolerância
São Paulo, SP
2010
1º Prêmio "Best Public Service Architecture - Brazil" no Americas Property Awards 2011, Londres, Inglaterra
1º Prêmio no "Concurso Nacional para o projeto do Museu da Tolerância, 2005"

Assista ao vídeo: http://youtu.be/SmC9YlLlNsM

(Texto do folder de apresentação do Museu da Tolerância).

A idéia da criação de um Museu da Tolerância em São Paulo nasceu do impacto que causou o atentado terrorista de 11 de setembro, da consciência da fragilidade do mundo democrático em enfrentar a irracionalidade da barbárie e da conscientização de que a doutrinação de ódio e a exclusão de “outro” ameaçam a sobrevivência da própria humanidade.

É imperativo que se construa uma sociedade que priorize o respeito à dignidade humana, e que nos unamos com companheiros de todo o mundo num ideal comum: lutar pela paz e pelos direitos universais de todos os homens, na defesa de uma convivência pacífica entre os povos.

O Museu da Tolerância de São Paulo terá como um dos seus objetivos fornecer à comunidade universitária e à sociedade brasileira e internacional, os resultados das investigações desenvolvidas nas diversas áreas das ciências humanas.

O Museu da Tolerância pretende instalar, pela primeira vez na América Latina, uma escola aberta a todas as raças e credos, esclarecendo os danos causados pela intolerância, responsável pelo sofrimento e extermínio de milhões de seres humanos. Deverá ser um espaço vivo voltado para a aprendizagem e a educação, apontando por meio de exposições permanentes e itinerantes e demais atividades, questões cruciais pertencentes tanto à história passada como à época presente: racismo, escravidão, inquisição, anti-semitismo, holocausto, terrorismo, discriminações contra a mulher e grupos étnicos, conflitos religiosos, trabalho infantil e demais exemplos da intolerância.

O Museu da Tolerância não será construído com base nos padrões dos antigos museus que resguardam patrimônios e obras históricas, mas constituirá um ambiente de estudo, vinculado à educação lato-sensu, trabalhando contra o preconceito e para a valorização da diversidade humana. As intolerâncias políticas, religiosas, culturais e sociais, cujas marcas profundas estão presentes em toda história da humanidade e que se fazem sentir igualmente na sociedade brasileira, processos inquisitoriais, escravidão de nativos e negros, preconceitos e xenofobia contra grupos étnicos-culturais, criminalização de ritos e cerimônias religiosas são exemplos da fragilidade dos regimes políticos no passado e das democracias modernas.

A exploração, a miséria, a discriminação e os conflitos étnicos e religiosos cobrem de sangue a face da terra.

Nos moldes do Museum of Tolerance – Centro Simon Wiesenthal, de Los Angeles – e nos passos de outros museus com objetivos semelhantes, mas sem perder a medida da história e realidade brasileiras, o Museu da Tolerância foi criado com o apoio da Universidade de São Paulo, conforme carta do Magnífico Reitor Prof. Dr. Adolfo José Melphi, de 10 de fevereiro de 2004, resultando na permissão de uso de uma área dentro do Campus universitário, em que a Associação Museu da Tolerância de São Paulo construirá o edifício sede do Museu, o qual, sempre mantendo sua autonomia, passará, mediante convênio, a integrar o patrimônio físico da Universidade.

Com esse objetivo realizou-se, em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil, concurso nacional de projetos que mobilizou cerca de 300 equipes, e entregues 170 projetos vindos de diversos estados do país. Foram vencedores os arquitetos Juliana Corradini e José Alves, com uma proposta de Museu que representasse um “monumento à liberdade e à ousadia”.

Do programa desenvolvido pelo projeto constam: duas bibliotecas, uma com acervo documental, testemunhos, arquivos e fotos para consulta e pesquisa e outra com acervo inteiramente dedicado à literatura infanto-juvenil; uma cinemateca e um auditório com capacidade para 400 pessoas; galerias para exposições permanentes e temporárias, salas de multimídia e salas de aula; laboratório de restauração e conservação; salas para administração; reserva técnica e dependências destinadas a criar um ponto de encontros informais, com lanchonete, espaços de estar e venda de artigos e publicações produzidas ou veiculadas pelo Museu.

Os estatutos do Museu da Tolerância de São Paulo prevêem uma Assembléia Geral de Associados, Conselho de Administração, Diretoria Executiva, e Conselho Fiscal, assim como um Conselho Científico, órgão consultivo do Conselho de Administração.

As raízes históricas da intolerância que desaguam nos dias atuais em crimes contra a humanidade preocupam órgãos mediadores, intelectuais, organizações não-governamentais, partidos políticos e universidades.

Instaurar uma cultura da paz é um imperativo que exige um esforço de cada indivíduo, a cada dia, na família, na escola, no trabalho. Os nacionalismos, o racismo, a judeufobia, a miséria, incitam ao ódio e à violência, e são escassas as garantias contra os ataques desumanos deflagrados por grupos fundamentalistas.

O essencial é a vida humana. Humanizar o planeta é um projeto prioritário e é na solidariedade e compreensão recíprocas que temos de depositar nossas esperanças para a paz. Archibald Mac Feish, delegado dos Estados Unidos em uma conferência promovida pela UNESCO disse em discurso: “Devemos afirmar se preferimos viver juntos ou se preferimos – dou a este termo seu sentido literal – cessar de viver”.

Na luta pela dignidade e pela construção de um mundo mais justo, mais próspero e mais humano, se unem e se empenham os fundadores do Museu da Tolerância da cidade de São Paulo.


Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini