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Nova Sede do CREA-PR em Curitiba
CONCURSO PÚBLICO NACIONAL DE ARQUITETURA PARA A NOVA SEDE DE CREA-PR EM CURITIBA, 2009

Situado em um lote profundo na Rua Mateus Leme, no Centro Cívico de Curitiba, próximo a importantes edifícios, como o Conjunto Arquitetônico do Centro Cívico do Estado do Paraná, Paço Municipal e Museu Oscar Niemeyer, o novo edifício Sede do CREA-PR pretende ser, além de um novo marco arquitetônico contemporâneo, uma referência tecnológica na área de implantação de sistemas ecoeficientes, bem como à prática de sustentabilidade ambiental na cadeia produtiva da construção civil.

IMPLANTAÇÃO

O primeiro critério para garantir o sucesso desse objetivo foi sua correta implantação no terreno. O edifício desenvolve-se no sentido longitudinal, resguardando generosos recuos frontal e de fundo, afastando a edificação do ruído proveniente da rua e da sombra do vizinho de fundo (um edifício de 17 andares implantado transversalmente ao terreno, ocupando quase toda sua largura, muito próxima à divisa), além de permitir que os ventos predominantes penetrem com eficiência na fachada leste do edifício. Nos recuos laterais estão as faixas de circulação: do lado esquerdo a de pedestres e do lado direito a de veículos. Em uma cidade de clima subtropical úmido é interessante a correta insolação do edifício, garantindo a entrada ideal de luz para a iluminação e aquecimento dos ambientes internos.
Devido ao alto nível do lençol freático, descartamos a construção de subsolo abaixo do nível original do terreno. Rebaixá-lo afetaria as fundações dos edifícios vizinhos e a construção de cortinas de contenção inviabilizaria o empreendimento. Devido ao caimento do terreno em direção aos fundos, o subsolo (com garagens e áreas técnicas) foi simplesmente assentado no solo existente, resultando um mínimo movimento de terra.

CIRCULAÇÕES E PROGRAMA

Um grande núcleo central, composto por sanitários, shafts, salas técnicas, escada enclausurada e elevadores, organiza as plantas dos pavimentos. Voltados para o leste estão os elevadores de funcionários e para o oeste os de público, garantindo total isolamento de fluxos verticais entre os dois grupos.
Nos primeiros andares, o programa mais voltado ao atendimento do público situa-se próximo à sua circulação, sendo que a partir do quarto pavimento as atividades administrativas ocupam todo o piso. Na face sul, que é a mais fria, foram locadas escadas abertas e jardins suspensos, que além de criar um desenho interessante e rico para essa fachada, proporciona visuais extremamente agradáveis para as salas administrativas.
Como a estrutura é independente dos fechamentos internos, os pisos são totalmente flexíveis, podendo ser divididos com divisórias leves, facilitando relocações durante seu uso. Além disso, adotamos o sistema de pisos elevados, maximizando a flexibilidade dos pisos.
Notável, o plenário está situado no 1º pavimento pela facilidade de acesso e de escoamento do público. A inclinação de sua platéia gera uma monumental entrada para a Sede, destacando esse importante edifício de seu entorno.

CONFORTO AMBIENTAL E ECO-EFICIÊNCIA

O projeto norteou-se pela economia dos recursos naturais e eficiência energética durante seu uso. As fachadas leste, norte e oeste são protegidas da incidência excessiva da radiação solar através de brises verticais pivotantes. Estruturados por perfis metálicos, são compostos de vegetação, formando elegantes painéis verdes, que dão graça à fachada e encantam os ambientes internos. A densidade da composição de plantas varia de acordo com a orientação da fachada e a escolha das espécies com a quantidade de luz que receberá.
Além da captação das águas pluviais, os efluentes sanitários serão tratados em uma microestação de tratamento de água e esgoto, possibilitando o reuso da água.
Sempre que possível os ambientes possuem ventilação cruzada. Para sua calefação nos dias frios, foi projetado um sistema de aquecimento por piso radiante através de serpentina de água quente (sob os pisos elevados das lajes) que utiliza a energia solar captada por painéis solares na cobertura, voltados para o norte, para seu aquentamento.
O plenário, salas de eventos e treinamentos, central de informações e demais programas possuem revestimentos e tratamentos acústicos de acordo com a necessidade. Para iluminação são utilizadas lâmpadas economizadoras de energia, seguindo sempre o nível de luminância adequado para a realização da atividade.
Adotamos jardins na cobertura e nas bandejas escalonadas da fachada sul, proporcionando proteção térmica e acústica aos ambientes, retardando a velocidade com que a água chega ao sistema de coleta e ainda ajudando a restaurar o ciclo hídrico da região.

ESTRUTURA

Pensando em toda a vida útil do edifício, desde o canteiro de obras até sua demolição, foi escolhido o sistema estrutural metálico, que não produz resíduos na obra, é de fácil e rápida montagem e pode ser remontado ou reciclado. Vãos econômicos de 6 e 9 metros na direção transversal e de 7,50 metros na direção longitudinal, promovem aproveitamento total dos perfis de fábrica.
Para apoiar a laje do térreo, adotamos uma estrutura de concreto, cujos pilares com formato retangular e transversais ao edifício conferem rigidez à estrutura. De acordo com a sondagem, a fundação mais adequada é composta por blocos estaqueados.
Para que o plenário não possua pilares em seu interior, treliças metálicas vencem o vão de 21 metros. Na cobertura do plenário, situa-se a sala principal de eventos para 300 pessoas, onde também é interessante a ausência de pilares. Por esse motivo, as lajes superiores a esse piso são penduradas pelos segundo e terceiro eixos transversais da estrutura, através de dois pórticos metálicos compostos pelos pilares do edifício e por duas importantes vigas situadas na cobertura acima da área de convivência dos funcionários. Além da função estrutural, este sistema de pórticos será um dos símbolos deste edifício.

LEGISLAÇÃO E ACESSIBILIDADE UNIVERSAL

O edifício obedece às normas e legislação pertinentes, em especial a NBR 9050. Todos os pavimentos e ambientes são acessíveis a todas pessoas, inclusive aos cadeirantes. Instalações sanitárias adaptadas estão presentes em todos os pisos, inclusive no subsolo, com a presença de vestiário adaptado.
Foram utilizadas as medidas do terreno legal, tanto para o projeto quanto para o cálculo de áreas. Além de respeitar o recuo frontal obrigatório de 5 metros e a faixa não edificável, os recuos laterais e de fundos obedecem a Legislação Municipal (recuo = H/6), com no mínimo 5 metros já que a altura do edifício é de 30 metros.
A taxa de permeabilidade foi reduzida de 25% para 12,7% com a criação de um reservatório de retenção de água pluvial de 43 m3, localizado no subsolo, atendendo ao Decreto 176/2007.

ARQUITETURA : UMA NOVA MONUMENTALIDADE

Hoje, a monumentalidade de um edifício não é somente medida por suas dimensões e beleza formal, mas por uma íntima relação do Homem com o seu habitat e a natureza. A grandiosidade dos edifícios contemporâneos não diz respeito somente à tecnologia e ao conhecimento humano, mas vincula-se também à questão da sustentabilidade e de como lidamos com a grande responsabilidade que é construir um edifício.
Analisando a envolvente do edifício, o seu uso, o clima de Curitiba, o percurso do sol, a direção dos ventos, os regimes pluviométricos, as temperaturas médias durante o ano e a topografia do terreno, bem como introduzindo tecnologias renováveis, uso de materiais locais, mínimo de consumo de energia e geração de resíduos, daremos ao edifício do CREA longevidade e uma nova monumentalidade.



Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini

Colaborador: André Almeida


Consultor de Sustentabilidade: Alberto Nascimento
Consultor de estrutura metálica: Julio Fruchtengarten
Consultor de estrutura de concreto e fundações: Ricardo Simões