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Designing in Teheran PROJECT B
CONCURSO INTERNACIONAL DE IDÉIAS PARA EDIFÍCIO MULTIUSO, TEERÃ, IRÃ, 2009

English version below

Projeto B : um ponto de referência para a cidade

Implantação – Assim como as Montanhas Alborz e as Torres Azadi e Milad, os maiores símbolos de Teerã, tivemos o intuito de tornar nosso edifício um contraponto aos edifícios ao seu redor e também um ponto de referência para a cidade. Implantamos o edifício de forma que a esquina adquirisse um caráter diferente da situação típica da Avenida Vali Asr, onde a maioria dos edifícios, quase todos grudados entre si, ocupam o lote sem afastamento frontal, formando um bloco construído uniforme que gera uma certa monotonia e perda de pontos de referência. Concentramos os 20% de área verde exigida pelo regulamento na esquina, transformando-a em uma praça de acesso que faz uma branda transição entre a rua e o edifício.

Subsolos (estacionamentos e depósitos no nível -1) - Para otimizar a ocupação dos subsolos e colocar o máximo de vagas, algo fundamental em Teerã devido ao seu trânsito infernal, fizemos grandes e suaves planos inclinados que além de funcionar como rampas de ligação entre os pisos, acomodarão as vagas para os carros, causando um efeito arquitetônico inusitado e muito funcional.

Térreo e 1º (lojas) - As lojas, com suas vitrines generosas e totalmente transparentes, situam-se nestes pisos. Os acessos aos apartamentos e aos escritórios nos pavimentos superiores dão-se pelo térreo, através de halls de entrada e núcleo de circulações independentes.

2º ao 6º (escritórios) - A partir do segundo piso o edifício transforma-se radicalmente. Mantendo a sua volumetria essencial e garantindo uma melhor orientação quanto aos ventos e incidência da luz do sol, criamos um grande vazio central composto por exuberantes terraços ajardinados, proporcionando um ambiente extremamente agradável tanto com relação ao clima quanto no que diz respeito a sua funcionalidade e flexibilidade no âmbito do programa do edifício.
Internamente, adotamos fechamentos em vidro, promovendo a integração entre ambiente interno e externo, oferecendo lugares de convívio e melhorando o desempenho da ventilação, otimizada com presença ativa de vegetação para gerar sombra e resfriamento no verão. O sol, a iluminação natural, o vento e a vegetação são recursos passivos de climatização que utilizamos ao máximo para obter espaços arejados, iluminados e com pouca necessidade de sistemas de climatização artificiais.
O clima de Teerã, além de seco, tem altas temperaturas no verão e baixas temperaturas no inverno. Sendo assim, para o fechamento externo do edifício adotamos um material largamente utilizado no Irã e que é perfeito para estas condições climáticas: o adobe. Na forma de tijolos, barro ou argamassa, ele tem sido tradicionalmente o material básico das construções iranianas. Atualmente muitas construções que utilizam o adobe encontram-se nas áreas urbanas. Entretanto, a maioria delas localizam-se nas áreas rurais.
Para o edifício, utilizamos o adobe na forma de painéis pré-fabricados constituídos por grandes blocos com espessura de 40 cm, dispostos livremente de forma que surjam entre eles janelas de pequenas dimensões e em quantidade adequada para suprir os escritórios de iluminação durante o dia e ventilação cruzada nas épocas quentes do ano, tornando-se o mais impressionante elemento do edifício.
No inverno somente 1/3 da energia do exterior será transmitida para o interior 6 a 8 horas depois de incidir no exterior, constituindo assim um sistema de aquecimento passivo. Construções em Adobe apresentam muitas potencialidades, como o elevado conforto térmico (muito associado à inércia térmica que propicia), o excelente comportamento acústico (associado à sua massa), a economia energética inerente (em termos de produção e de transporte do material e à utilização da construção), a longevidade da construção e, por fim, aspectos ligados à reciclagem da construção, uma vez que não há produção de entulhos industriais, pois a ‘terra volta à terra’.

7º (apartamentos) - Fizemos o bloco dos apartamentos totalmente independente do restante do edifício, criando um incrível gap, um grande terraço ao ar livre que proporciona vistas da cidade de Teerã bem como das Montanhas Alborz. A cobertura deste volume suspenso será um telhado verde acessível pelos moradores e onde disporemos painéis solares para produção de energia e aquecimento da água.

O CONCEITO : Projeto B ( + A ) - A idéia de que o Projeto B poderia transcender sua escala objetiva e adquirir outro significado foi a nossa primeira intenção. Sendo assim, apresentamos também nossa hipótese original: o Projeto B (+A), cuja concepção primordial surgiu do anseio de que os dois edifícios, quase idênticos, exceto por algumas adaptações necessárias na implantação e acessos, pudessem se interligar fisicamente através de uma extraordinária superestrutura aérea, ou pelos subsolos da cidade ou ainda por códigos menos físicos e mais simbólicos que proporcionassem às pessoas uma outra percepção desta conexão. A arte urbana, o paisagismo ou um efeito de luz e sombras são alguns dentre muitos exemplos que podem ajudar-nos a imaginar outros meios de estabelecermos este laço entre ambos, proporcionando às pessoas uma outra relação com a cidade. Por trás deste anseio, a imagem do vínculo e da identidade, a representação do diálogo e da complementaridade, uma abstração de simultaneidade no horizonte, a obsessão por pontos de referência, um sonho de tolerância e coexistência: um novo Irã.

The multistorey building B: a reference point for the city

Location – Just as the Alborz Mountains and Azadi and Milad Towers, the major symbols of Teheran, we had as purpose to make of our building a counterpoint to the surrounding buildings, and also a reference point for the city. We have located the building in such a way that the corner could have a different aspect of the typical situation of Vali Asr Avenue, where most of the buildings, almost all united each other, occupy the plot without front setback, forming a uniform built block that creates a certain monotony and loss of reference points. We concentrated the 20% of green area required by the rules in the corner, making of it an access plaza that makes a smooth transition between the street and the building.

Underground levels (car parking and storage space in level -1) – To optimize the underground occupation and put the maximum number of parking spaces, something critical in Teheran due to its hellish car traffic, we made big and smooth slanted slabs, which, in addition to work as connection ramps between the floors, will accommodate the spaces for cars, causing an unusual and very functional architectural effect.

Ground level and first floor (commercial units) – The stores, with its generous and entirely transparent windows, are located in these floors. The access to the apartments and offices in the upper floors are from the underground and ground levels, through independents entrance halls and circulation core.

Floors second to sixth (office spaces) – From the second floor, the building is radically transformed. Keeping its essential shape and assuring a better orientation regarding winds and sunlight, we created a big central empty space composed of luxuriant gardening terraces, providing a truly pleasant ambience, regarding both climate and its functionality and flexibility in the scope of the building program.

Internally, we adopted glass closing, promoting the integration between internal and external environments, offering social points and improving the ventilation performance, optimized with the active presence of vegetation to generate shadow and cooling in the summer. The sun, the natural light, the wind and the vegetation are passive resources of climatization we explored at the maximum, in order to have ventilated, illuminated spaces, with little need of artificial climatization systems.

Teheran’s climate in addition to being dry, has high temperatures in summer and low temperatures in winter. So, for the external closing of the building we adopted a material largely used in Iran, which is perfect for such climate conditions: the adobe. In the form of sun-dried bricks and clay or lime/clay mortar, it has traditionally been the primary construction material in Iran. Presently, this type of construction still constitutes a notable portion of the buildings in the urban areas and a majority of the buildings in the rural areas.

For the building, we used adobe as pre-built panels composed of large blocks of 40 cm of thickness, freely disposed to allow windows of small dimensions between them, in a proper quantity for providing the offices with light during the day and crossed ventilation in the hot periods of the year, constituting the most impressive element of the building.

In winter, only 1/3 of the energy from the exterior will be transmitted to the interior 6 to 8 hours after falling upon the exterior, thus constituting a system of passive heating. Constructions using adobe present many potentialities, such as the high thermic comfort (largely associated to the thermic inertia that it provides), the excellent acoustic behavior (associated to its mass), the inherent energy saving (in terms of production and material transport, and the use of the construction), the construction longevity, and finally the aspects linked to the construction recycling, since there is no production of industrial trash, because “land returns to land”.

Seventh floor (apartments) – We made the block of the apartments totally independent of the rest of the building, creating an incredible gap, a tall open air courtyard that provides views of the city of Teheran and also of the surrounding Alborz Mountains. The top of this suspended volume will be a green roof accessible for the residents, where we will put solar panels for energy production and water heating.

The Concept : Project B (+ A) – The idea that the Project B could transcend its objective scale and gain another meaning was our first intention. So, we present also our original hypothesis: the Project B (+A), whose primary conception arised out of the wish that the two buildings, almost identical, except for some necessary adaptations in its location and access, could physically interconnect through an extraordinary air superstructure, or through the city’s underground, or by codes less physical and more symbolic, which could provide people with another perception of this connection. The urban art, the landscaping or an effect of light and shadows are some of the many examples that can help us to imagine other means to establish this connection between them, making possible for people to have a different relation with the city. Behind this wish, the image of the bond and of the identity, the representation of the dialogue and of the complementarity, an abstraction of simultaneity in the horizon, the obsession for reference points, a dream of tolerance and coexistence: a new Iran.

Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini

Colaborador: André Almeida
Traduções: Vanessa Yamamoto