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TRT Goiânia
CONCURSO NACIONAL DE ARQUITETURA PARA O COMPLEXO TRABALHISTA DO TRT DA 18ª REGIÃO - GOIÂNIA - GO
2007

Para demonstrar sua relevância como instituição pública e tendo como o mais nobre propósito garantir que as relações de trabalho se dêem na obediência dos princípios dos direitos humanos, a nova sede do Complexo Trabalhista do TRT-18º em Goiânia foi concebida para expressar unidade e clareza, tendo, além da escala da sua importância, uma escala urbana. Desejamos dar uma forte identidade ao conjunto, inserindo-o na malha urbana da cidade de uma forma não usual. Optamos por implantar o novo edifício sobre pilotis, nos alinhamentos do terreno e no limite dos recuos exigidos, como um anel, conciso e preciso, deixando o interior da quadra livre.

A construção do novo edifício e a adaptação do edifício sede atual será realizada em 3 etapas, sem a interrupção dos serviços oferecidos por essa instituição e com agilidade, privilegiando a industrialização de componentes, garantindo canteiros limpos e com baixo índice de ruído. A implantação por etapas e a situação de desativação dos edifícios atuais à medida que a obra avança, fizeram com que decidíssemos pela estrutura metálica que, além das suas vantagens na questão do dimensionamento e precisão construtiva, reduz o canteiro de obra, fazendo com que haja um mínimo desperdício de material e proporciona velocidade na montagem. Na primeira e segunda etapas será implantado o novo edifício e na terceira e última etapa será realizada a adaptação do edifício sede atual, que se conectará ao novo edifício através de passarelas localizadas nas suas extremidades.

Desejamos fazer um edifício com uma volumetria mais horizontal do que vertical, mais democrático e que se relacione harmoniosamente com o entorno. Em função do partido que adotamos (um elo contínuo formado pelo edifício novo e sede atual com uma grande praça pública central), a quadra e o entorno ganharão um caráter único, transformando-se numa referência para a cidade. Na primeira etapa, além de ocupar a área reservada que contêm as varas de 7 a 13, projetamos parte do novo edifício sobre a construção existente que comporta as Varas de 1 a 6, junto à Avenida T-1, sem demoli-la. O vão necessário de 45 metros será vencido por uma treliça metálica que será montada utilizando caminhão guincho sem qualquer interferência ao funcionamento das Varas de 1 a 6. Por não necessitarem de escoramento, adotaremos lajes steel-deck. Serão utilizadas bandejas de proteção, entelamento do prédio, túneis cobertos para passagem de pessoal, seguindo todos os preceitos de Segurança do Trabalho para preservar a integridade do edifício existente, dos funcionários e do público. Seu prazo de construção será curto e as fundações poderão ser feitas em tubulão de concreto a céu aberto, que não interferirão nas edificações existentes. Finalizadas as 3 etapas, teremos um bloco único e homogênio na sua volumetria básica, porém heterogênio nas suas funções e superfícies. As fachadas terão aspectos diferentes, com características particulares de acordo com os usos e necessidades que elas encerram.

Em cumprimento à norma NBR 9050 teremos acessibilidade total aos portadores de necessidades especiais e, de acordo com a norma NBR 14432 e à NT-08 do Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás, todos os princípios de segurança contra incêndio serão adotados para a proteção do edifício e de sua estrutura.

Devido à situação de termos um terreno ocupado por diversas edificações que serão demolidas no decorrer das etapas de implantação, optamos por não fazer o estacionamento no subsolo e sim no térreo. Além da praticidade e eficiência, a obra terá o custo reduzido. Os subsolos de estacionamentos são espaços que se tornam ociosos nas horas em que os edifícios não funcionam, portanto isto será evitado. Disporemos as 500 vagas exigidas no plano levemente inclinado do terreno original. Nas horas de trabalho os funcionários e usuários que chegarem de carro poderão orientar-se facilmente avistando os lugares para onde desejam ir e encaminhando-se às portarias de acesso correspondentes. Nos períodos em que as vagas estiverem vazias (durante a noite, nos feriados e fins de semana) o térreo se transformará em um espaço público por onde as pessoas poderão passear. Todo o piso, exceto o das portarias, será de concregrama, o mesmo utilizado no estacionamento externo do edifício sede atual. Teremos a nova sede do TRT-18º assentado sobre um piso “verde” que, além de estacionamento, se transformará em uma praça para a cidade.

Adotaremos o consumo racional de energia limpa, reutilizaremos as águas servidas, usaremos materiais com um bom envelhecimento e que possibilite ao edifício um longo ciclo de vida e minimizaremos o uso de ar condicionado através do aproveitamento dos ventos, da localização das aberturas e da utilização inteligente de quebra-sóis nas fachadas. A nova Sede do TRT-18º será um edifício sustentável especialmente por sua capacidade de ser flexível e acomodar-se a novos usos através do tempo, reinventando-se.

Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini