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Biblioteca de Praga
CONCURSO INTERNACIONAL DE ARQUTETURA PARA O PROJETO DA NOVA BIBLIOTECA NACIONAL DA REPÚBLICA THECA EM PRAGA
2006 - 51.000 m2

IMPLANTAÇÃO

Partimos do princípio de que o novo edifício da Biblioteca Nacional de Praga deve ser um marco na paisagem da cidade em virtude de sua grande importância e do território escolhido para implantá-lo: a fronteira Oeste do plano Letenská plán, uma grande área que estende-se desde o topo da colina sobre o Rio Vltava, limitada no lado Norte por um significativo eixo urbano, a Avenida Milady Horákové.

Um marco não como um monumento fechado, mas como um espaço aberto, público, que convide a todos a se aventurarem pelo mundo das letras, atraídos pelo novo edifício, pelos volumes soltos no ar, pela surpreendente leveza de algo tão presente.

Organizamos o edifício em dois grandes blocos: situada na borda leste do terreno, uma grande e sólida torre de concreto, climatizada e protegida da luz, contendo o Acervo da Coleção Nacional e os demais acervos que também requerem cuidados especiais, portanto inacessíveis aos usuários comuns. Voltado para o Oeste, uma estrutura metálica conectada ao bloco principal (onde estão os acervos abertos, as salas de leitura e estudos, além da administração da Biblioteca), cujo balanço constitui, além de um abrigo, uma monumental entrada para as pessoas vindas do oeste (Avenida Milady Horákové), do sudoeste (Rua Badeniho) e do sudeste (do Parque Letenské Sady). Para aqueles que chegam do grande parque do lado leste, o edifício se apresenta como uma marcante superfície branca, elevada sobre a copa das árvores que estão na área reservada para sua ampliação.

Apesar das grandes dimensões do Edifício, o conjunto de casas existente situado à oeste do terreno não é prejudicada do ponto de vista da incidência da luz e da insolação. A torre está distanciada 90 metros do limite oeste do terreno e a ponta mais ocidental do edifício está a 32 metros das casas e a 26 metros do nível do chão. A cobertura possui ângulo de inclinação de 45º.

Afastamos o Edifício 15 metros do Túnel City Ring Road no ponto onde ele passa mais próximo e fizemos a Biblioteca com um piso de subsolo no mesmo alinhamento.

Esse cuidado com o túnel faz com que o Edifício oportunamente fique mais próximo ao Parque Letenské Sady, dando uma escala mais local e acolhedora à Biblioteca, proporciona um inusitado ponto de vista para quem vem da Rua Spejcharu e o deixa mais afastado da Avenida Milady Horákové, acomodando-o a este lado mais urbano do lugar.

O edifício foi projetado de modo que todos os ambientes, tanto os de uso público quanto os administrativos, são mirantes para a cidade. O restaurante e as salas de uso múltiplo estão localizados no último andar do edifício e sua cobertura será um generoso terraço com vista 360º para a cidade.

DESCRIÇÃO SINTÉTICA E TÉCNICA DA ESTRUTURA E DOS MATERIAIS UTILIZADOS

O Edifício é essencialmente um enorme e sólido bloco de concreto que ancora e sustenta grandes estruturas metálicas em balanço. Nele depositamos todo o acervo da Biblioteca e nas estruturas metálicas, organizamos o restante do programa.

A estrutura metálica principal é constituída por quatro planos contínuos que são grandes vigas inclinadas dispostas em leque. Estas “páginas” são ancoradas por um sistema de mãos francesas formado por quadros estruturais dispostos transversalmente aos pórticos de concreto do bloco, sendo as diagonais destes quadros os perfis que sofrem as cargas de compressão e as vigas horizontais as partes tracionadas, ancoradas no bloco principal.

Embutidas no intervalo entre as “páginas” e entre os quadros estruturais, depositamos “caixas inteligentes” (que contêm as salas de leitura, áreas de estudo e áreas administrativas) com posições, dimensões e características de vedação, fachadas e superfícies, iluminação, conforto ambiental, isolamento acústico e infra-estrutura diversas, definidas conforme os usos e funções. Suas faces são estruturadas por treliças metálicas e por diafragmas de enrijecimento e seus fechamentos laterais são transparentes, translúcidos ou mesmo opacos, conforme a natureza de seu uso.

As passarelas de conexão entre o acervo e essas caixas que “flutuam no vazio” funcionam como vigas de ancoragem entre as estruturas, além de servirem de “pipe bridge” entre os shafts e as caixas que, dependendo da necessidade particular de cada uma, terão tetos ou pisos falsos.

A cobertura inclinada de aço e vidro é apoiada pelo sistema composto pelas “páginas” e pelos quadros estruturais transversais e ancorada no ápice dos pórticos de concreto do grande bloco.


SIMPLES DESCRIÇÃO OPERACIONAL E RELAÇÕES ESPECIAIS NO EDIFÍCIO

Desde o grande acesso aberto e coberto pela estrutura metálica em balanço o usuário é envolvido pela atmosfera do edifício. Ainda fora dele, percebe toda a organização da Biblioteca, revelada através das “páginas” inclinadas de aço e vidro, amparadas pelo grande bloco aos fundos.

Na grande torre, entre a Área Pública, localizada no térreo, até o restaurante e as salas de uso múltiplo, no último pavimento, estão todas as coleções da Biblioteca, que vão desde o 2º até o 15º andar. O acervo possui conexão para os diversos programas situados nas caixas apoiadas na estrutura metálica. Elevadores e escadas interligam todos os andares, desde subsolo até o 17º pavimento e passarelas realizam a comunicação horizontal. Escadas dentro de cada caixa promovem a comunicação entre pisos de um mesmo programa. O check in e check out é realizado nas entradas dos departamentos, das salas de leitura do acervo.

Monta-cargas e shafts de instalações fazem a comunicação vertical de serviços e de infra-estrutura entre todos os pisos do edifício e o subsolo, que abriga estacionamento, áreas técnicas, armazenagem das operações do edifício e de sua administração. O acesso ao subsolo tanto dos usuários como de serviços é feito através de uma rampa localizada junto à rua de serviço na borda Oeste do terreno, fora da área de convergência do fluxo dos pedestres.

CONCEITO GERAL DA ARQUITETURA

Um grande livro de páginas abertas.

Uma Biblioteca que enfrenta o medo do peso insustentável: o peso da repressão, o peso da tolerância e da intolerância, o peso da responsabilidade, o peso da destruição e o peso da história, que torna o peso leve perante o peso da experiência.

Sua dimensão parece desproporcionalmente grande, mas todo seu imenso e obstinado peso também é uma estrutura flutuante, solta e livre.

Propusemos equilibrar o peso, subtraí-lo, adicioná-lo, concentrá-lo, dispor dele, apoiá-lo, localizá-lo, desorientá-lo, desequilibrá-lo, incliná-lo, movimentá-lo, direcioná-lo. Enfim, há muito a ser dito sobre os perpétuos e meticulosos ajustes do peso, sua vastidão imponderável e sua exatidão no âmbito das leis da gravidade: as insustentáveis dimensões.

Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini

Estrutura: Julio Fruchtengarten (Kurkdjian & Fruchtengarten)
Fundações: Marcelo de Souza (MS Engenharia)
Conforto Ambiental: Luiz Carlos Chichierchio (Ambiental)
Climatização: Eizo Kozai (Thermoplan)
Maquete Eletrônica: Victor Paixão