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Teatro de Natal
TEATRO DE NATAL

CONCURSO NACIONAL TEATRO DE NATAL
2005 -35.000 m2 - 2º Prêmio

A cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, com aproximadamente 800 mil habitantes, posição geográfica privilegiada no crescente comércio com a União Européia, turismo internacional em franca expansão, maior aeroporto da América Latina em construção, necessita de um Complexo Cultural à sua altura. Um conjunto cultural que não só atenda os moradores do Estado como espaço de expressão e desenvolvimento culturais, mas que também atraia visitantes nacionais e estrangeiros incrementando a economia visto que atualmente o turismo é a sua maior fonte de renda. As belas obras da Natureza, como as dunas, as falésias, a Mata Atlântica, o mar já são um forte atrativo. Um outro atrativo será uma obra do Homem: um Complexo Cultural que contemple todas as formas de manifestações artísticas (dança, música, teatro, pintura, escultura, cinema, poesia) a começar pela arquitetura. Um belo edifício, que considere todos os aspectos técnicos para as melhores performances artísticas e que seja a manifestação do espírito democrático, o desejo do gesto, a liberdade materializada.

O EDIFÍCIO

As dunas e as falésias de Natal são um grande marco visual na paisagem da cidade. Aqui a natureza se torna fonte de inspiração e referência: a caixas cênicas dos quatro teatros são colocadas lado a lado no sentido do menor para o maior configurando uma íngreme e inclinada parede de concreto armado junto ao movimento constante da Avenida Prudente de Moraes, remetendo à verticalidade pujante das falésias.
Em tempos de espetáculos os transeuntes se aproximarão curiosos pela movimentação de caminhões na Rua de Serviços e docas: oba, hoje tem espetáculo! Este setor do programa foi locado sem constrangimento junto à Avenida Prudente de Morais e os moradores logo saberão da chegada de uma nova apresentação: caminhões, chafarizes ligados, iluminação diferente, um surpreendente espetáculo antes da própria apresentação. A grande empena, além de marco na paisagem e referência urbana, é também outdoor, uma grande base para a divulgação dos eventos programados, atividades culturais, projeção de imagens.

Atrás da “falésia” de concreto a surpresa: o céu brilhante, um resquício de Mata Atlântica. Uma cobertura levemente inclinada de vidro refletivo incolor pousa delicadamente no espelho d’água. Tem a forma sinuosa e em movimento como as dunas e está lá para abrigar as mais diversas expressões artísticas e folclóricas, feiras de artesanato, shows de música, protegendo o homem das intempéries e proporcionando conforto ambiental. As laterais do edifício são abertas e sua implantação está voltada para o sudeste, de onde vêm os ventos dominantes. Assim, a brisa é constante e o ar está em contínua circulação através do efeito chaminé proporcionado pelas grandes aberturas na cobertura. A vegetação e o espelho d’água com seus chafarizes borrifando gotículas de água contribuem para a criação de um ambiente agradável sob a cobertura, de modo ecológico e sustentável, eliminando a necessidade de climatização deste recinto.

Sobre as coberturas dos teatros de 200, 400 e 600 lugares estão as escolas de dança e teatro (voltadas para a generosa Praça, despertando a curiosidade e o desejo nas pessoas) e áreas administrativas em um primeiro piso e, num segundo piso, a biblioteca, bar, restaurante e jardins suspensos. Sobre a cobertura do teatro de 2.000 lugares estão as salas de ensaio, com acesso direto ao palco através de elevador privativo situado dentro da caixa cênica. Estas áreas citadas com programa específico e que necessitam de um maior controle da luz, são protegidos da irradiação solar por brises soleils metálicos voltados para o norte e dispostos sobre a cobertura de vidro fazendo um desenho sinuoso, na projeção do programa que abriga abaixo.

Sob o piso da Praça há dois níveis de estacionamento (totalizando 518 vagas) e sob as platéias do teatro estão as oficinas, áreas técnicas e camarins, todos com acesso ao palco e às docas através de escadas e monta-cargas situados no fosso do palco. Conectando todos os recintos temos dispostos em lugares estratégicos núcleos verticais de circulação compostos por torres metálicas e passarelas plugadas no concreto dos teatros.

O CONFORTO AMBIENTAL

A grande cobertura de cristal sobre a Praça central será constituída por painéis de vidro de segurança laminado refletivos incolores para o controle solar. Ela será inclinada e com sua aerodinâmica voltada para o sudeste, donde provêm os ventos dominantes.

A ventilação deverá ser otimizada para permitir a retirada do calor do interior do ambiente. Para favorecer a obtenção do conforto térmico esta cobertura será dotada de grandes aberturas zenitais conjugados com a total ausência de fechamentos laterais.

Abaixo das aberturas estarão praças arborizadas cujas árvores terão as copas densas que atravessarão os rasgos na cobertura, protegendo os vidros e fazendo sombra para os usuários. Além disso, um grande espelho d’água e chafarizes proporcionarão um clima agradável ao ambiente.

Este conjunto formado pela cobertura de vidro refletivo, pelo espelho d’água, o borrifamento das águas dos chafarizes, a sombra das copas das árvores e a ação dos ventos constantes tornarão este ambiente agradável.

Na projeção das áreas onde estão o restaurante e biblioteca bem como sobre as salas de ensaio, mesmo sendo espaços também favorecidos pelos ventos e brisas, adotamos brises soleil dispostos sobre a cobertura de vidro e voltados para o norte, proporcionando um maior controle da incidência e radiação solares.

Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini

Colaborador: Ricardo Canton
Orçamento: Nova Engenharia
Climatização: Eizo Kozai (Thermoplan)
Iluminação: Antonio Carlos Mingrone (Mingrone Iluminação)
Maquete Eletrônica: Ricardo Canton, Victor Paixão e Felipe Annunziato