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Biblioteca de Guadalajara
CONCURSO INTERNACIONAL PARA A BIBLIOTECA NACIONAL DO MÉXICO, Guadalajara, México
2005
40.000 m2

A biblioteca terá função fundamental no âmbito da universidade e, portanto, de toda a cidade de Guadalajara. Como centro de comunicação, cumprirá funções sociais e científicas importantíssimas. Deverá, enfim, ser arquitetonicamente expressiva e atual.

Um imenso plano inclinado branco, quase um plano impróprio, no infinito. É assim que este novo edifício se apresenta para a cidade. Uma nova matriz, porosa e luminosa, densa de memórias inexoráveis, já esquecidas, mas que carregamos através dos tempos e onde uma nova história será escrita. Uma nova superfície para a cidade, evidente, clara, geográfica no sentido da busca de cada um por dimensões relevantes.

Esta enorme placa é uma visão, um panorama, um ícone. É lisa e sem desigualdades, democrática e vaidosa: está em primeiro plano, medindo todas as perspectivas, profundidades, distâncias e peso, divulgando o nosso conhecimento, as imagens do nosso tempo, as vanguardas artísticas de hoje e de ontem e também a nossa fragilidade.

Ao atravessá-la e rompermos toda esta densidade simbólica, tudo há de recomeçar, de transformar-se, de elevar-se. Numa época em que a estabilidade está fora de moda, propomos também um edifício fora de moda, duro, racional e estável, afirmativo e impactante, corajoso. Porém livre, paradoxalmente leve e pesado, verdadeiro.

Este Edifício, depósito denso de conhecimento e de diversas formas de informação foi concebido como um grande espaço vazio, onde a ausência edificada enfrenta o paradoxo que é o peso do livro, pois como segurar toda esta carga com tão pouco? O resultado deste nosso desejo de liberdade culminou neste imenso bloco sustentado por quatro gigantes de concreto e por treliças metálicas situadas no último pavimento, que juntos penduram todas as lajes. Assim elas parecem flutuar ao redor do centro gravitacional do edifício: um imenso vazio vertedor de luz zenital: é o quinto pilar do edifício, um pilar de luz.

Apesar de complexa, sua organização funcional e espacial é muito simples: após atravessarmos o pórtico de entrada constituído pelo plano inclinado, atingimos um recinto de duplo pé direito cortado longitudinalmente por um mezanino e verticalmente por um enorme vazio cujo redor é ocupado pelas coleções e por passarelas de ligação. Portanto, desde o piso de entrada o usuário percebe imediatamente os vários ambientes da Biblioteca. Além deste enorme vazio, as quatro torres de concreto também servem como balizamento do espaço, orientando o visitante. Estas torres são pilares que além de apoiar o edifício, são a sua infra-estrutura: nelas estão os elevadores e escadas, sanitários, depósitos, salas de equipamento de ar condicionado, telecomunicações e shafts.

Entre o mezanino das crianças e os pisos onde se situam as diversas coleções, há um grande Átrio que é uma praça de leitura donde podemos ver a Praça Central do Centro Cultural. Ele é blocado de um lado pelo conjunto de passarelas e escadas rolantes e por outro por uma grande cortina de vidro torcido. Esta fachada é constituída internamento por painéis de vidro transparente e externamente por vidros fotovoltáicos, que aproveitam todo o Sol que incide aí para gerar energia elétrica para a Biblioteca. Estas duas peles estão afastadas entre si 1,60m para permitir que o ar circule entre elas.

Após esta praça elevada, iniciam-se os pisos que são as coleções e administração da Biblioteca. Este Bloco é todo climatizado e voltado para o norte, portanto a incidência do calor e de luz direta é menor.

É importante mencionar a importância técnica do enorme painel externo ao Sul do Edifício. O Anillo Periférico Norte produz uma quantidade muito grande de ruído e poluição. O seu rebaixamento aliviará a Biblioteca destes fatores, mas não resolverá o problema completamente. Sendo assim, este painel foi projetado para ser uma barreira acústica, ou seja, de um lado ele é constituído por chapas metálicas microperfuradas para absorção do ruído e de outro por chapas lisas, para que o som não entre na Biblioteca. Entre as chapas há lã de rocha. Assim, a Biblioteca está totalmente protegida tanto acusticamente em relação aos resíduos poluentes. A inclinação da placa e a sua cor branca têm a função de permitir a entrada de luz difusa dentro do ambiente das coleções. É uma luz benéfica que não estraga os livros e não aquece a fachada norte, toda envidraçada.

A Biblioteca também é constituída por dois níveis de subsolo onde situam-se, ao sul, os estacionamentos, acessos para o trabalhadores do edifício e as docas de serviços. O acesso a eles se dá pelas rampas situadas nas duas extremidades laterais do edifício. Do outro lado estão as atividades que podem realizar-se independentemente da Biblioteca estar aberta ou fechada. São as áreas de reunião: Teatro, Auditório, salas de vídeo, salas de aula, cafeteria, lojas, telefones públicos, tudo isso margeado por duas grandes praças rebaixadas, onde o usuário poderá ler ao ar livre e utilizar seus laptops, concentrados e protegidos do ruído externo e tendo acima de suas cabeças a dimensão vertical do conhecimento humano, caminho sem volta.

Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini

Colaborador: Ricardo Canton
Estrutura: Cláudio Puga (Cláudio Puga Engenharia de Projetos) e Heloisa Maringoni (Cia de Projetos)
Conforto Ambiental: Luiz Carlos Chichierchio (Ambiental)
Climatização: Eizo Kozai (Thermoplan)
Instalações: Antonio Cláudio Bousquet Muylaert (MBM Engenharia)
Maquete Eletrônica: Ricardo Canton e Atrios Arquitetura Design