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Prêmio Caixa IAB 2004
HABITAÇÃO SOCIAL EM BELÉM

PRÊMIO CAIXA IAB 2004 – CONCURSO PÚBLICO NACIONAL DE IDÉIAS E SOLUÇÕES PARA A HABITAÇÃO SOCIAL NO BRASIL, Belém, PA
2004 - 788 unidades habitacionais sendo 500 apartamentos e 288 casas – 70.000 m2 - 1º Prêmio

“O caboclo Marculino/ Tinha oito boi zebu/ Uma casa com varanda/ Dando pro Norte e pro Sul”
Xanduzinha, de Luiz Gonzaga

A proposta surgiu do desejo de preservar a mata nativa existente no terreno, transformando-a num grande Parque para as pessoas da região. Partindo deste ato primordial, organizamos a intervenção tendo este Parque como núcleo organizador do espaço.

Ao longo da rodovia Artur Bernardes, corredor importante e estruturador da cidade, temos uma grande marquise de generoso pé-direito sobre pilotis, cuja clareza permite imediata apreensão para quem transita, seja a pé ou de carro. Esta estrutura porosa constitui a face urbana da intervenção, que além de realizar a transição entre a rua e o Parque, também organiza o espaço vertical da proposta: elevados da marquise e longitudinalmente a ela, pousamos os edifícios de habitação multifamiliares de forma a permitir o livre caminho das brisas provenientes da Baía de Guajará, concluindo assim a composição volumétrica básica. Temos sob essa cobertura muita sombra, áreas livres, áreas de comércio e serviços e os estacionamentos dos condomínios (destinados a 30% das unidades). Sobre ela, as áreas de lazer reservadas aos moradores e acima, os apartamentos. Abrimos em lugares estratégicos deste grande plano elevado imensas clareiras circulares, lugares donde partem os elevadores e escadas para os andares superiores. Constituímos então uma nova e instigante relação com a Baía: da plataforma e dos edifícios avistamos de um lado suas águas e de outro, a copa das árvores do Parque.

Após o núcleo verde, temos, do lado oposto aos conjuntos multifamiliares, residências unifamiliares cuja implantação tem a escala do bairro. Quanto à orientação das edificações, as implantamos de modo que todas as aberturas fossem voltadas para o Norte e para o Sul. No caso dos apartamentos, as fachadas estão sempre protegidas, ora pelas próprias passarelas de circulação horizontal, soltas da edificação, ora por brises horizontais, também soltos da fachada, contribuindo para a dissipação do calor.

No caso das residências unifamiliares, fizemos as coberturas com beirais e elevamos a casa do chão em 50 cm, permitindo a circulação do ar sob ela e evitando o contato com a grande umidade do solo. Implantamos as unidades geminadas duas a duas, pois assim protegemos uma das faces Leste/Oeste e, como nos edifícios multifamiliares, desalinhamos os blocos para que os ventos circulem livremente.

A arquitetura é instrumento de ação de mudanças urbanas, que refletem em novas posturas em relação ao meio, provocando um novo olhar sobre a cidade. A surpresa de um novo espaço, a criação de uma nova sombra, a valorização da vegetação que sempre esteve lá, só que em outro contexto. O desejo de voar e ver o mundo de cima: da marquise a vista se estende pela Baía, pelas ilhas e as copas das árvores já não estão tão altas assim. Uma nova relação é criada, o que era sempre tronco vira folhas, o que era limite torna-se possibilidade. E assim a arquitetura transforma a cidade em um local mais acessível, mais livre e mais humano.

Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini

Orçamento: Nova Engenharia
Conforto Ambiental : Luiz Carlos Chichierchio (Ambiental)