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Centro Cultural em Araras
CENTRO CULTURAL EM ARARAS

CONCURSO NACIONAL PARA IMPLANTAÇÃO DE UM CENTRO CULTURAL EM ÁREA DA ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE ARARAS, SP
2004 - 2.000 m2 -
Menção Honrosa

CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO LUGAR – UM BREVE PANORAMA

O terreno possui acentuada longitudinalidade, sendo plano neste sentido e constituído por alguns desníveis no sentido transversal. Ao longo da face voltada para a Av. Ângelo Franzine há um talude de aproximadamente 1,50 m de altura. Um trecho deste talude dará lugar à escadaria de acesso ao conjunto.

Na região central do terreno há outro pequeno desnível, cujo limite é um muro de arrimo de 1 m de altura. É um elemento que organiza e setoriza o lugar, dividindo-o em duas partes. Ele funcionará como uma pequena “barragem”, limite para o futuro espelho d´água. Entre esse muro e o talude, elementos claros da topografia deste sítio, há uma longa faixa gramada, que abrigará, além da praça de chegada, uma fileira de árvores. Mais adiante, entre essa pequena contenção e a Fábrica da Nestlé, há um último desnível de aproximadamente 0,75 m de altura e repleto de árvores, que serão mantidas.

Sobre os platôs, existem alguns edifícios que antigamente abrigavam a Estação Ferroviária de Araras, hoje desativada e abandonada. São construções desarticuladas e degradadas pelo tempo e pela falta de uso.

Por fim, um grande volume de ruídos são gerados pelos exaustores da Fábrica da Nestlé, na divisa da região noroeste do terreno, aumentando a sensação de desconforto para aqueles que caminham ao longo do lugar.


DIRETRIZES FUNDAMENTAIS - A RECUPERAÇÃO DA MEMÓRIA DO LUGAR

Esta situação de fragmentação, desarticulação e degradação será resolvida através das ações fundamentais a seguir:

1. Restauração de todos as edificações existentes através de uma recuperação histórico-arquitetônica e modernização infraestrutural, adaptando-as ao novo programa.

2. Redefinição e remodelação paisagística das áreas livres e sua conseqüente relação com a cidade.

3. Implantação de um novo edifício que, além de abrigar parte do novo programa cultural, valorize, re-integre, re-articule e faça a “ponte” entre os espaços e as edificações existentes, hoje desconexos.


O NOVO EDIFÍCIO – PARTIDO ESTRUTURAL

O sistema construtivo adotado utiliza os núcleos de circulação vertical, que serão fundidos no local, como elementos de contraventamento e rigidez da construção. Estes elementos, que criam vão central de 82,50 m e balanços assimétricos de 3,75 m e 15 m, “abraçam” e suportam duas treliças metálicas de 8 m de altura e 112,5 m de comprimento, afastadas entre si 8 m. Estas treliças estão dispostas ao longo das fachadas no sentido longitudinal do edifício e são compostas por perfis I de aço cortén. Os montantes verticais das treliças estão dispostos a cada 7,50 m. Perfis metálicos, também de aço cortén, serão dispostos nos banzos superiores e inferiores das treliças a cada 3,75m, formando a estrutura básica da cobertura e do piso. Tanto as lajes de piso como as de cobertura serão do tipo aderente compostas de concreto e chapas de aço perfiladas (steel deck) .

A distribuição e os encaminhamentos das instalações elétricas, hidráulicas e de climatização serão feitos de forma aparente, facilitando a manutenção e tornado o edifício flexível. Parte dos equipamentos como, por exemplo, as torres de resfriamento e caixas d’água serão instalados numa plataforma técnica apoiada na estrutura da cobertura e suas tubulações se conectarão aos shafts verticais localizados junto aos núcleos de circulação vertical.

Os estúdios serão modulares e fechados com painéis acústicos móveis que correrão ao longo de guias no forro do edifício.

As treliças metálicas foram superdimensionadas para que o edifício possa ser ampliado futuramente com pisos intermediários, mezaninos etc. Esta ampliação também poderá ser realizada no seu comprimento, pois sendo ele um edifício aéreo, não haverá barreiras físicas que impeçam isto.

Para proteger a fachada noroeste do edifício da insolação poente haverá brises em todo o seu comprimento. A fachada sudeste será composta por uma “pele” constituída por vidros laminados incolores lisos fixados por pressão e perfis de alumínio anodizado natural. As fachadas nordeste e sudoeste serão fechadas com painéis duplos compostos de chapa metálica do tipo cortén parafusados na estrutura.

Ficha técnica

Arquitetura: José Alves + Juliana Corradini